“Uma comunidade inclusiva é aquela onde ninguém fica para trás por ser diferente”, defendeu Tiago Cunha no Congresso de Neurodiversidade
“Uma comunidade verdadeiramente inclusiva não é aquela onde todos são iguais. É aquela onde ninguém fica para trás por ser diferente”, defendeu o presidente da Câmara de Paredes de Coura na abertura do Congresso de Neurodiversidade, sublinhando que “é esse o compromisso de Paredes de Coura”.
Nesta iniciativa que ao longo de dois dias pretende constituir como um espaço de partilha, reflexão e aprendizagem em torno da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), Tiago Cunha recordou que o Congresso de Neurodiversidade “é apenas a parte visível de um trabalho muito maior e, por isso, este congresso não é o princípio nem o fim de um trabalho”, recuperando que este encontro nasce no âmbito do Programa Sucesso Educativo 100 Paredes, integrado na candidatura PIPSE, um programa com uma duração de 36 meses e que coloca a neurodivergência no centro de uma estratégia de promoção do sucesso educativo e da inclusão: “queremos que aquilo que aqui se aprende chegue às escolas, às salas de aula, às famílias e, finalmente, a toda a comunidade. Queremos, sobretudo, ouvir todos e aprender, porque a única coisa que temos por certa é que não fazemos tudo bem e temos todo o espaço para melhorar”.

Acompanhar, diagnosticar e intervir
O autarca de Paredes de Coura relembrou também que uma escola inclusiva não se constrói apenas com boas intenções: “constrói-se com conhecimento, com ferramentas e com profissionais preparados. Por isso, temos capacitado, e continuaremos a fazê-lo, quem está diariamente com as nossas crianças”, acrescentando depois que não basta formar. “É preciso acompanhar, diagnosticar e intervir”, sublinhou Tiago Cunha, apontando como exemplo a necessidade de adaptação e estruturação das salas e ambientes para os doentes de PEA.
“Partimos para a adaptação dos ambientes dos equipamentos municipais e eventos, como foi o caso do Mundo ao Contrário deste ano em que disponibilizamos “INKLUA kits” que tiveram utilização eficaz”, recordou o presidente da Câmara, sugerindo que se olhe para cada criança “não apenas através do seu diagnóstico, mas através das suas capacidades, das suas necessidades, dos seus interesses e, sobretudo, das suas possibilidades”.

A PEA não é a lepra do século XXI
Por último, Tiago Cunha desafiou a que não olhemos para a PEA como a lepra do século XXI: “Não podemos permitir que um diagnóstico se transforme numa marca social. Não podemos aceitar que uma criança seja reduzida àquilo que o seu diagnóstico diz sobre ela”, defendendo que “uma criança que sofra de perturbação do espectro do autismo é uma criança. Não é um autista”, concluiu.
Promovida pela Equipa PIPSE – Município de Paredes de Coura, em colaboração com o CENFIPE e o Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura, este I Congresso de Neurodiversidade procura promover a disseminação de conhecimentos, experiências e boas práticas que contribuam para uma comunidade mais informada, inclusiva e preparada para compreender e apoiar as pessoas com PEA.
Este I Congresso de Neurodiversidade destina-se a professores, educadores, assistentes operacionais, pais e familiares, técnicos especializados e comunidade em geral, procurando envolver todos aqueles que, direta ou indiretamente, fazem parte do percurso das pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo.