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Sete anos depois, NuIsIs ZoBoP regressa a Viana do Castelo
com “Fuga Para o Tempo Presente – O Leve Poder da Lua Apenas Queima os Olhos”
Por Administrador
Publicado em 03/09/2026 12:37
Viana do Castelo
Luis Ferreirinha
Sete anos depois, NuIsIs ZoBoP regressa a Viana do Castelo com “Fuga Para o
Tempo Presente – O Leve Poder da Lua Apenas Queima os Olhos”

A companhia apresenta a criação de Dança Contemporânea no Teatro Municipal Sá de Miranda a 12
de setembro, às 19 horas, e lança, dois dias antes, na Biblioteca Municipal, com entrada livre, o livro de
arte e investigação que acompanha a criação, com programação da Câmara Municipal de Viana do
Castelo.

Depois de ter apresentado em Viana do Castelo, ao longo de uma década, “ABBADON” (2009, Casa
Doutor Vivo), “Veleda” (2010, Museu do Traje), “Nameless Natures” (2015, Biblioteca Municipal), “O
Céu é Apenas um Disfarce Azul do Inferno” (2016), “Da Insaciabilidade no Caso ou Ao Mesmo Tempo
um Milagre” (2017 e 2018) e “Dos Suicidados – O Vício de Humilhar a Imortalidade” (2019), estes
últimos três no Teatro Municipal Sá de Miranda, a NuIsIs ZoBoP regressa à cidade, sete anos depois, no
dia 12 de setembro, às 19 horas, para apresentar “Fuga Para o Tempo Presente – O Leve Poder da Lua
Apenas Queima os Olhos”. Dois dias antes, a 10 de setembro, pelas 17h30, a companhia lança na
Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, com entrada livre, o livro de arte e investigação associado à
criação.
 
Fundada em 2004 por Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade, a NuIsIs ZoBoP – Associação
Cultural de Criação, Investigação e Formação no Domínio das Artes Performativas assume estes três
vetores, investigação, formação e criação, como complementares entre si, e não como campos
estanques. O trabalho da companhia desenvolve-se no cruzamento entre dança, filosofia e literatura,
em diálogo continuado com o Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e
prolonga-se numa produção teórica e editorial que acompanha as criações coreográficas. Esta
orientação distingue a NuIsIs ZoBoP no panorama nacional da dança contemporânea, onde a
investigação filosófica raramente ocupa um lugar tão central na construção da linguagem cénica.
A relação da NuIsIs ZoBoP com Viana do Castelo recua aos primeiros anos da companhia: a Casa
Doutor Vivo acolheu, em 2009, “ABBADON”, a sua primeira criação, e, entre 2010 e 2019, o Museu do
Traje, a Biblioteca Municipal e o Teatro Municipal Sá de Miranda receberam sucessivamente o seu
trabalho, tecendo com a cidade uma relação de continuidade pouco comum no panorama da dança
contemporânea portuguesa. Para Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade, cofundadores e
codiretores artísticos da companhia, o regresso à cidade, decorridos sete anos, equivale a retomar, ao
fim desse tempo, um diálogo que permanece vivo. É esse o sentido que atribuem ao momento: o
reencontro com uma cidade que acompanhou os primeiros passos da companhia e que volta agora a
acolher o seu trabalho.


Alípio Padilha 

Em “Fuga Para o Tempo Presente – O Leve Poder da Lua Apenas Queima os Olhos”, o corpo afirma-se
como lugar de resistência perante as formas de violência que atravessam o presente. Num tempo em
que o horror ameaça banalizar o quotidiano e paralisar a ação, a dança é convocada como prática de
presença, gesto de ocupação do instante contra o apagamento. O título cruza dois poemas: “Fuga da
Morte”, de Paul Celan, invertido aqui numa fuga para o agora, para as coisas frágeis e belas de que nos
esquecemos, e o verso de Herberto Helder que dá nome à segunda parte. Sobre os Études d'exécution
transcendante de Franz Liszt, música de constante recomeço e queda, a coreografia persegue um
movimento sempre próximo da sua dissolução: agarrar o presente enquanto o presente desaparece.
Interpretado por Sara Miguelote, natural de Viana do Castelo, com figurinos de UN T e cenografia de
UN T e NuIsIs ZoBoP, o solo teve antestreia a 8 de maio de 2025 no Festival Escenas do Cambio, na
Cidade da Cultura da Galiza, em Santiago de Compostela, e estreia a 17 de maio na WOW Galeria
Nasoni, em Vila Nova de Gaia. Pensada para espaços não convencionais, segundo a ideia de poema
contínuo, cara a Herberto Helder, a peça percorreu depois a Fábrica da Criatividade, em Castelo
Branco, e, no Porto, o Espaço Agra, a Fundação Marques da Silva, o Centro Português de Fotografia e a
Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto, nas Noites no Pátio do Museu, enquanto a
Faculdade de Letras acolhia seminários de investigação e um congresso dedicados à criação. Depois de
Viana do Castelo, o solo será ainda apresentado este ano no Festival Circular, em Vila do Conde, e nos
Encontros da Imagem, em Braga. Da antestreia escreveu o crítico Afonso Becerra que a peça é um
ballet atual e atemporal de extenuação e resistência, força e fragilidade, nostalgia e utopia.
Como escrevem Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade, a criação confronta as tensões
entre instante e eternidade, permanência e impermanência, propondo a dança como gesto de
resistência num presente marcado pela violência e pela fragilidade. Um convite a ocupar o instante e a
afirmar a presença: «só no movimento recusamos o fim. E, no fim, eis a dança.»

O livro, com o mesmo nome da criação, 632 páginas e mais de 400 imagens, reúne as duas primeiras
criações da companhia, “ABBADON” e “ZOS (She Will Not Live)”, de 2007, e a própria “Fuga Para o
Tempo Presente”. Inclui as fichas artísticas e os textos dramatúrgicos integrais das três peças, ensaios
de mais de vinte autores, entre filósofos, sociólogos, dramaturgos e outros investigadores que têm
acompanhado o trabalho da companhia, fotografia assinada por seis fotógrafos e um dossiê de
imprensa com a receção crítica da obra em Portugal e na Galiza. É editado pela NuIsIs ZoBoP e pelo
Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, através do Grupo de Investigação Raízes e Horizontes
da Filosofia e da Cultura em Portugal, e dá continuidade a uma prática editorial iniciada pela
companhia em 2015, com a publicação ligada a “O Céu é Apenas um Disfarce Azul do Inferno”.
Os coreógrafos Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade estão disponíveis para conceder
entrevistas sobre o processo criativo da peça, as residências artísticas, a relação profunda da
companhia com Viana do Castelo (depois de sete anos de ausência), as pontes com a poesia de Paul
Celan e Herberto Helder, a influência dos Études de Liszt e as questões estéticas e filosóficas que
atravessam a obra.

Mais informações sobre o nosso percurso, bem como acesso a entrevistas e teasers das nossas obras,
podem ser consultados através dos seguintes links:

Página da criação: nuisiszobop.com/fuga-para-o-tempo-presente-o-leve-poder-da-lua-apenas-
queima-os-olhos

Livro de arte e investigação (versão digital):
repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/174387/2/775073.pdf
Projetos: nuisiszobop.com/projetos
Edições: nuisiszobop.com/edicao (versões digitais dos livros publicados e artigos)
Instagram: @nuisiszobop

Vídeo aqui:
https://vimeo.com/1106712625?fl=pl&fe=sh


Carlos Gomes
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