Câmara Municipal trabalha “com todo o rigor técnico”
para preservar pelo registo vestígios do antigo Convento de São Bento
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre,
acompanhou, esta quarta-feira, a comunicação social, numa visita técnica à
intervenção arqueológica prévia à construção do novo Mercado Municipal de Viana do
Castelo, e garantiu que a autarquia está a trabalhar “com todo o rigor técnico e as
melhores práticas” para preservar pelo registo os vestígios do antigo Convento de São
Bento.

No final do século XIX, por volta de 1891, após a extinção das ordens
religiosas, o Município deliberou demolir as estruturas não religiosas do convento para
aí construir o primeiro mercado municipal – Mercado das torres.
Por isso, o autarca explicou que, relativamente ao antigo Convento de São
Bento, a “grande decisão” foi tomada em 1891, “numa decisão responsável, tal como
está a ser agora, já que foram demolidas as partes menos representativas do
convento, mas a parte religiosa foi preservada”. “As funções mais nobres do antigo
convento - a igreja e os claustros -, estão preservadas e vamos trabalhar para as
colocar mais ao serviço dos vianenses”, afirmou.
“Estamos a trabalhar com todo o profissionalismo, rigor técnico e científico,
com o tempo e a tranquilidade necessárias para preservar o que encontramos através
do registo e iremos certamente compilar toda a informação numa publicação”, garantiu
Luís Nobre.

Agora, reforça, “queremos dar mais dignidade e visibilidade à Igreja de São
Bento e aos claustros ainda existentes, que integravam exatamente o antigo
convento”, apesar das “cicatrizes temporais” que o tempo deixou.
“Iremos tomar decisões dentro dos cânones existentes para intervenções desta
natureza, nomeadamente através da preservação pelo registo, que vai fazer um
levantamento e proteger definitivamente esta ocupação”, declarou, acrescentando que
vai procurar a classificação da Igreja de São Bento e dos claustros como Monumento
de Interesse Público.
Luís Nobre quer que este espaço “possa ser usufruído não só na sua
componente religiosa, mas também turística e cultural”, pelo que a Câmara Municipal
vai trabalhar com a Paróquia e a Diocese de Viana do Castelo para apoiar a reabilitação
deste património através do programa municipal Valorizar o Património.
Luís Nobre assegura que “a construção do novo Mercado não está em causa,
vai ser construído aqui, mas recorrendo a todas as técnicas de registo e preservação
do que foi este convento, a sua construção e desconstrução ao longo do tempo”.
O Chefe de Unidade Orgânica de Arqueologia da Câmara Municipal de Viana do
Castelo, Miguel Costa, referiu que, até ao momento, a intervenção arqueológica já
promoveu escavações numa área de 1.000 metros quadrados, que revelou estruturas
não religiosas do antigo Convento de São Bento, fundado no século XVI, nas várias
fases de ocupação do espaço – dormitórios, enfermarias, áreas técnicas.
“As cidades são organismos vivos, com uma evolução natural, vão crescendo e
vão-se sobrepondo estruturas”, explicou o arqueólogo, reconhecendo que o edifício
original não tinha estrutura sólida o suficiente para ser reformulada. “Agora, estamos a
trabalhar para devolver o Mercado Municipal a este espaço”, afirmou, explicando que
estas escavações desvendaram “cinco séculos de história preservados debaixo das
terras”.

“O objetivo é a preservação e memória dos registos existentes. As escavações
vão continuar, com escavações em área, estendendo-se pelos arruamentos em torno,
nomeadamente no arruamento a norte e poente, numa área que será aumentada
ainda em mais 700 metros quadrados”, explicou, num trabalho articulado entre a
Câmara Municipal e as entidades que tutelam o património, garantindo o princípio da
conservação pelo registo.
O futuro Mercado Municipal de Viana do Castelo é um projeto considerado
estruturante para o desenvolvimento da cidade e para a dinamização do centro
histórico, e está dividido em duas grandes intervenções: o edifício propriamente dito,
cuja localização é sobre a implantação do desconstruído Edifício Jardim / Prédio
Coutinho; e a reabilitação do espaço envolvente exterior.
O Mercado Municipal conta com uma área de implantação de
4.971,11m2, área bruta de construção de 8.570,03m2, dividida entre piso -1,
piso 0 e piso 1. O projeto de execução de arquitetura indica que o futuro
espaço comercial contará com um total de 56 bancas, 28 espaços
comerciais/serviços e ainda com 91 lugares de estacionamento em cave.
Após concurso público internacional, a obra, de 13,376 milhões de euros, está a
cargo da Arlo S. A.. O edifício principal, de acordo com o projeto de execução de
arquitetura, possuirá dois pisos, funcionando o mercado no piso térreo.
“No coração do piso 0, que foi pensado como se tratasse de um grande átrio
central, serão localizados os operadores tradicionais, em espaço de banca, os quais
justificam cuidados acrescidos do ponto de vista higio-sanitário. Estes espaços foram
concebidos em forma de ilhas comerciais que garantem exposição em todas as frentes
em interação com a exposição nos espaços de loja, beneficiando a atratividade sobre
todos os produtos”, refere o projeto.

“Dentro da área do piso 0 foram integradas áreas técnicas de frio, para
conservação de pescado e fabrico de gelo, como forma de apoio direto aos operadores
de pescado. A área nascente do piso 0, de menor atratividade, e de certo modo
condicionada pelo acesso ao parque na cave, privilegia sobretudo os espaços técnicos
de apoio ao mercado que carecem de ligação direta ao exterior, assim como de
ventilação natural”, é ainda referido.
“O piso superior, ao funcionar como se de um mezanino se tratasse, partilha o
espaço central com a área de mercado, permitindo estabelecer sinergias do ponto de
vista da dinâmica dos usos, sendo destinado preferencialmente a atividades ligadas a
serviços e espaços culturais, embora se admitam condições para que em função da
evolução da procura possam também servir como áreas comerciais complementares
das previstas no piso térreo”, indica-se ainda.