Devir-Água: a última exposição do projeto DESAGUAR inaugura em Vila
Nova de Cerveira Sábado, 28 de março, 16h00, Convento de S. Payo
A exposição “Devir-Água” inaugura no próximo sábado, dia 28 de março, às 16h00, no
Convento de S. Payo, em Vila Nova de Cerveira. Integrada no projeto “DESAGUAR” e
promovida pela Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), a mostra apresenta os trabalhos
desenvolvidos por seis artistas em residências realizadas em São Miguel (Açores), Loulé e
Vila Nova de Cerveira, propondo uma reflexão sobre a água enquanto matéria, pensamento e
prática artística.
A curadoria é de Mafalda Santos, com a colaboração da restante equipa curatorial do projeto - João
Serrão e Mirian Tavares (Loulé) e Jesse James (Açores) - e assinala um percurso que atravessou
diferentes territórios e regimes hídricos. Segundo a curadora da exposição, Mafalda Santos, “a
exposição assinala o último momento da iniciativa, não como encerramento, mas como estado de
transformação. Depois de os artistas percorrerem Vila Nova de Cerveira, São Miguel e Loulé -
territórios atravessados por diferentes regimes hídricos e memórias sedimentadas – esta mostra
situa-se num tempo intermédio, onde experiências, matérias e narrativas permanecem em
circulação".
Reunindo os trabalhos de Patrícia Oliveira, Ana Maria Pintora, Bertílio Martins, Milita Doré, João
Amado e Margarida Andrade, “Devir-Água” apresenta-se como um espaço de continuidade, onde
experiências, matérias e narrativas permanecem em fluxo, atravessando territórios, memórias e
urgências contemporâneas.
O Presidente da FBAC, Rui Teixeira, destaca a importância simbólica desta exposição: "Este
momento representa o culminar do primeiro projeto em rede apoiado pela Rede Portuguesa de Arte
Contemporânea (RPAC) em que a FBAC é a entidade responsável. A iniciativa evidencia o nosso
compromisso com práticas colaborativas que ligam artistas, territórios e comunidades e sublinha a
dimensão inovadora e transformadora da arte contemporânea em Portugal."
O encerramento do projeto terá lugar a 23 de maio, às 16h00, no Convento de S. Payo, com o
lançamento do catálogo e a apresentação do documentário do projeto. Nesse mesmo dia, às 19h00,
será apresentado o espetáculo “Arquitecturas da Água”, de Luís Bittencourt, no Palco das Artes. A
exposição ficará patente ao público até 23 de maio.
De referir que o projeto “DESAGUAR” é coordenado pela FBAC, em parceria com o Arquipélago –
Centro de Artes Contemporâneas (Açores) e a Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo
(Câmara Municipal de Loulé), com o apoio da RPAC – Programa de Apoio a Projetos 2023.
Exposição “Devir-Água”
28 de março a 23 de maio de 2026
Local: Convento de S. Payo
Horário: sábados e domingos: 14h00 às 18h00
Curadoria: Mafalda Santos, com a colaboração da restante equipa curatorial: João Serrão e Mirian
Tavares (Loulé) e Jesse James (Açores).
Artistas representados: Ana Maria Pintora, Bertílio Martins, João Amado, Margarida Andrade, Milita
Doré, Patrícia Oliveira.
Notas biográficas dos artistas
Ana Maria Pintora (1959, Lisboa) estudou Filosofia na Universidade do Porto e reside em Vila Nova
de Cerveira. Desde 1976 colabora em animações culturais, performances e teatro de fantoches.
Fundou a Associação Cultural da Granja e participou na Cooperativa Nascente-Espinho (FAOJ).
Docente de Filosofia desde 1982, desenvolve em paralelo prática nas artes visuais, promovendo
oficinas e exposições em Portugal e no estrangeiro (Japão, Polónia, Turquia, Brasil).
Bertílio Martins (1984, Tavira) Licenciado em Artes Visuais (UAlg, 2011) e mestre em Comunicação,
Cultura e Artes (2016). O interesse pelo corpo humano e o uso expressivo da tinta-da-china
conduzem a composições onde fragmentos corpóreos flutuam ou submergem em atmosferas
líquidas, habitando estados de suspensão entre presença/ausência e fim/renascimento.
João Amado (1992, São Miguel, Açores) é artista visual autodidata. Trabalha a recolha, o
colecionismo e a recontextualização de imagens e objetos do mundo popular-tradicional e natural.
Com linguagem neossurrealista, convoca fantasia, onírico e transcendente. Expõe desde 2019; em
2021 realizou a sua primeira individual institucional “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”, no
Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas.
Margarida Andrade (1996, Ponta Delgada) parte da procura por práticas ambientalmente
sustentáveis e projetos comunitários, assumindo uma dimensão autocrítica. Entre as exposições
individuais, destacam-se: “No futuro também se usavam pincéis” (ACAC, 2022), com o lançamento
do livro “Décima Ilha; um herbário de plantas por nascer” (Galeria Fonseca Macedo, 2023); e “o mar
torna o horizonte numa miragem” (Festival Walk&Talk, 2018). Desde 2024, com o projeto “não me
esqueças”, realiza caminhadas comunitárias a partir do luto; daí nasce o trabalho sobre distribuição
hídrica em Portugal.
Milita Doré (Albufeira) viveu os primeiros 30 anos em França e trabalha atualmente no Algarve.
Interessa-se pela condição humana em contextos psicológicos e sociais, recorrendo a diversos
meios. Frequentou Teoria da Estética no Ar.Co e o curso experimental MOBILEHOME (Nuno Faria).
Licenciada em Artes Visuais (UAlg, 2018) e pós-graduada em Processos de Criação (2023). Expõe
regularmente desde 2004 e é membro das associações 289 e Alfaia.
Patrícia Oliveira (1983, Monção) é escultora e professora na Escola de Arte, Arquitectura e Design
da Universidade do Minho e no Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Mestre em Escultura pela
Universidade do Porto. Desenvolve projetos transdisciplinares focados no espaço público e nas
questões de corpo e performatividade, trabalhando com vidro, têxteis e cerâmica. Interessa-se pela
relação entre arte, natureza, comunidade, produção e pela reflexão sobre género. Criou o projeto
Manufatura de Fronteira no Alto Minho.
