Estudar longe de casa: 6 dicas que
podem poupar tempo, dinheiro e
dores de cabeça
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Entrar na universidade marca o início de uma nova etapa. Para quem começa este percurso — ou para quem o acompanha de perto — há muito entusiasmo, mas também uma série de decisões práticas que não podem ficar para depois: onde viver, quanto vai custar tudo, como gerir as despesas do dia a dia. |
É o início de uma fase exigente, onde a gestão do orçamento faz toda a diferença. A pensar nisso, o Doutor Finanças reuniu algumas dicas úteis para tornar este arranque mais tranquilo e ajudar a tomar decisões mais informadas — tanto para quem está a começar a vida universitária, como para quem está a apoiar esse caminho. |
1) Encontrar a casa certa |
Encontrar casa é um dos primeiros desafios para quem vai estudar fora e os preços elevados do mercado exigem planeamento atempado. |
As residências universitárias públicas são geralmente a opção mais acessível para bolseiros, mas a oferta é limitada e muitas vagas são ocupadas por estudantes dos anos anteriores. Quando não há lugar disponível, é necessário recorrer a alternativas: as residências privadas, embora mais caras, incluem frequentemente despesas como água, luz, internet e serviços como limpeza; arrendar um quarto numa casa partilhada costuma ser mais económico, mas com menos privacidade; já alugar uma casa inteira dá mais autonomia, mas também implica custos mais altos e responsabilidades acrescidas. |
Para algumas famílias, a compra de um imóvel perto da universidade pode também ser uma opção, até como investimento – uma vez que resolve a questão do alojamento e ainda permite alugar outros quartos e, assim, alcançar algum equilíbrio financeiro. |
2) Considerar o valor das propinas |
As propinas no ensino superior público mantêm-se congeladas desde 2020, com um máximo anual de 697 euros para licenciaturas e mestrados integrados, pagos em prestações definidas por cada instituição. |
Mas atenção: caso se mantenha o diploma aprovado pelo Governo em 2023, esses valores poderão ser restituídos mais tarde, sob a forma de prémio salarial, no momento da entrada no mercado de trabalho. |
Já nas instituições de ensino superior privadas, os valores variam bastante entre instituições, sendo essencial analisar bem os custos e o que está incluído no montante total a pagar. |
3) Bolsas de estudo e subsídios: Há mais do que pensa |
Existem várias bolsas e subsídios que podem ajudar a aliviar o esforço financeiro. As mais conhecidas são as bolsas da Direção-Geral do Ensino Superior, mas há também apoios como o subsídio de deslocação, o complemento de alojamento ou a bolsa +Superior, atribuída a quem frequenta instituições no interior do país. |
Além disso, várias entidades — como a Fundação Calouste Gulbenkian, a FCT, o Instituto Camões ou a Fundação Millennium BCP — atribuem bolsas com critérios próprios, pelo que é fundamental fazer uma pesquisa atempada e garantir a candidatura dentro dos prazos estabelecidos. |
4) Trabalhar e estudar? Sim, mas com equilíbrio |
Conciliar os estudos com um part-time pode ser uma boa ajuda para fazer face às despesas, mas exige equilíbrio. O primeiro ano é, por norma, o mais exigente em termos de adaptação, pelo que é importante avaliar a disponibilidade real antes de assumir um compromisso profissional. |
Entre as opções de trabalho mais comuns para os estudantes estão part-times em operadoras de call-center, explicações ou baby-sitting. Algumas universidades também disponibilizam programas de alunos tarefeiros, que permitem colaborar em tarefas internas em troca de uma compensação financeira ou redução nas propinas. |
5) Orçamentar, orçamentar, orçamentar |
Gerir bem o orçamento é outro dos pilares essenciais nesta fase. Importa identificar quanto dinheiro está disponível todos os meses — seja através de mesadas, bolsas, part-times ou outros apoios — e quais são os encargos fixos, como renda, alimentação, transportes ou telecomunicações. A partir daí, é importante definir um limite para os gastos variáveis – como roupa, restaurantes ou saídas com amigos - e manter um registo regular das despesas. Ferramentas simples como uma folha de Excel ou uma aplicação de finanças pessoais podem fazer toda a diferença. |
6) Visitar o local antes do início das aulas |
Se possível, é recomendável fazer uma visita à nova cidade antes do início das aulas. Conhecer o percurso até à universidade, identificar os principais serviços, os transportes públicos disponíveis ou os supermercados mais próximos permite antecipar necessidades e facilita a adaptação nos primeiros dias, proporcionando uma maior sensação de segurança e conforto desde o início. |
Estudar fora da cidade de origem implica, em muitos casos, um esforço financeiro e logístico considerável. Mas, com planeamento e informação, esta pode ser uma fase gratificante e mais tranquila — tanto para quem vai estudar como para quem está a apoiar esse percurso. |