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25 de Abril |«… e temos o povo…»: Sessão de escuta coletiva no Museu Arqueológico do Carmo
SESSÃO DE ESCUTA COLETIVA
Por Administrador
Publicado em 22/04/2026 14:51
Nacional
50anos25abril.pt

25 de Abril |«… e temos o povo…»: Sessão de escuta coletiva no Museu Arqueológico do Carmo

SESSÃO DE ESCUTA COLETIVA

Do baú da rádio renascem do silêncio as fitas originais onde ficou gravado o dia 25 de Abril de 1974. Uma oportunidade única para escutar o som da liberdade falada e inaugurada nas ruas pelas palavras do povo, dos militares e dos jornalistas.

Do Golpe à Revolução, do Terreiro do Paço ao Largo do Carmo, do amanhecer incrédulo ao romper da coragem, escutamos as vozes, o motor dos carros de combate, os passos em corrida, o rodopiar do helicóptero, as comunicações via rádio, os gritos, os vidros partidos, as perguntas e as respostas, os tiros, o megafone dos capitães, a agonia do regime, as dúvidas e as vontades, o assombro, a festa, a ideia de futuro, rua a rua.

No âmbito das comemorações dos 51 anos do 25 de Abril, a Comissão Comemorativa promoveu, no dia 25 de abril de 2025, uma sessão pública de escuta coletiva da emblemática reportagem radiofónica transmitida pela Rádio Renascença nas primeiras horas após a Revolução dos Cravos,  no átrio central das ruínas do Convento do Carmo (Museu do Carmo), em Lisboa.  

Em 2026, “… e temos o povo…” – Todos os sons da primeira montagem radiofónica do 25 de Abril percorre o território nacional, continente e regiões autónomas, levando este documento radiofónico histórico a diferentes públicos e geografias. 

PRÓXIMAS SESSÕES DE ESCUTA COLETIVA

Através de um conjunto de sessões públicas, o projeto promove um exercício alargado de escuta coletiva, permitindo que um registo central da memória do 25 de Abril seja partilhado e apropriado pelo maior número possível de pessoas, numa lógica de democratização territorial do acesso à memória sonora da Revolução.

À semelhança do que aconteceu no Carmo, em Lisboa, a 25 de abril de 2025, todas as sessões serão acessíveis em Língua Gestual Portuguesa.

A REVOLUÇÃO GRAVADA NA FITA DO TEMPO

Quando, no Largo do Carmo, entre o meio dia e a uma da tarde, na primeira conferência de imprensa livre, o alferes Carlos Beato sussurrou ao microfone da rádio e a Salgueiro Maia “… e temos o povo…”, interrompendo o capitão de Abril enquanto este enunciava todas as forças que estavam do lado dos revoltosos, ficou registado para sempre o momento em que o golpe de estado começava a ser uma revolução pendurada nas árvores.

Estas quatro palavras “… e temos o povo…” são o ícone sonoro que capta a essência das quase quatro horas da primeira e mais completa montagem que o sonoplasta Pedro Laranjeira fez da reportagem realizada por ele, Paulo Coelho e Adelino Gomes, desde o início da manhã no Terreiro do Paço até à rendição de Marcelo Caetano, incluindo testemunhos, entrevistas e conversas que nunca mais voltaram a estar “no ar” desde que foram emitidos naquelas madrugadas iniciais, há mais de 50 anos, no programa Limite na Rádio Renascença.

2025: UMA EMISSÃO HISTÓRICA, OUVIDA NA ÍNTEGRA 51 ANOS DEPOIS

No dia 25 de abril de 2025, a Comissão Comemorativa promoveu uma sessão pública de escuta coletiva da reportagem radiofónica transmitida pela Rádio Renascença nas primeiras horas após a Revolução dos Cravos.

Intitulada «… e temos o povo…» – Todos os sons da primeira montagem radiofónica do 25 de Abril de 1974, a sessão decorreu no átrio central das ruínas do Convento do Carmo (Museu do Carmo), em Lisboa — o mesmo local que acolheu momentos decisivos do derrube da ditadura. Tratou-se da primeira retransmissão integral, desde 1974, desta peça sonora de referência, da autoria de Adelino Gomes, Paulo Coelho e Pedro Laranjeira (1945–2015), originalmente emitida no programa Limite.

A sessão foi apresentada pelos curadores da iniciativa, Adelino Gomes, Isabel Meira e André Cunha, contou com a participação de Joaquim Furtado e reuniu milhares de espetadores. 

25 DE ABRIL, SEMPRE NO AR

Paulo Coelho, Adelino Gomes e os herdeiros de Pedro Laranjeira têm a intenção de doar simbolicamente este histórico documento radiofónico à Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, com o objetivo de o vir a depositar no futuro Arquivo Nacional do Som, assegurando a sua preservação e disponibilização para fins de investigação. Estas bobinas constituem não apenas uma peça cimeira da história da rádio e do jornalismo em Portugal, mas também um exemplo raro, à escala internacional, de um documento sonoro que acompanha de forma próxima, contínua e prolongada o desenrolar de um dia decisivo de uma revolução. 

Esta iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril surgiu como epílogo do ciclo de escuta “25 de Abril, sempre no ar – Les oeillets de la radio” que desde fevereiro de 2024, no festival Longueur d’ondes, um dos maiores festivais de rádio do mundo, tem vindo a dar à escuta alguns dos grandes momentos radiofónicos criados antes, durante ou inspirados pela revolução dos cravos. Depois de Brest, em França, realizaram-se sessões de escuta coletiva no Museu do Aljube, em Lisboa, e no Teatro o Bando, em Palmela. 

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