“Moça da Ribeira” leva o legado do Minho à UNIPVC com exposição inaugurada em novembro
Teresa Silva apresenta “Filha do Minho: Arte e Legado”, uma exposição de ilustração e etnografia que valoriza os trajes tradicionais, as memórias familiares e a identidade das comunidades minhotas. A inauguração foi reagendada para 6 de novembro, às 16h45, na Oficina Cultural da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC).
Não desenha rostos. Prefere que sejam os trajes, as cores e os bordados a revelar a origem de quem os veste e as histórias que transportam. Teresa Silva, de 47 anos, natural da Ribeira, em Viana do Castelo, regressa à instituição onde se formou, em 2005, para apresentar “Filha do Minho: Arte e Legado”, uma exposição que cruza ilustração, etnografia e memória coletiva.
A mostra será inaugurada no dia 6 de novembro, às 16h45, na Oficina Cultural, situada no edifício dos Serviços Sociais da UNIPVC, onde ficará patente até janeiro de 2027. A alteração da data transfere para novembro a apresentação pública de um projeto que pretende dar visibilidade ao património cultural minhoto e às tradições que continuam a marcar a identidade das comunidades.
Nas ilustrações de Teresa Silva, o protagonismo pertence aos trajes tradicionais. As suas cores, os bordados e os pormenores de cada peça permitem reconhecer freguesias, tradições e comunidades, numa abordagem que procura ir além da componente estética.
“Eu quero que o traje se destaque, porque o traje é um símbolo de pertença de uma freguesia ou de uma comunidade, não de uma pessoa”, explica a ilustradora.
A distinção entre a “chieira”, associada ao orgulho e à vaidade tão característicos das tradições minhotas, e o “brio” de preservar e respeitar a herança recebida está também presente no seu trabalho. Mais do que mostrar a beleza das indumentárias, Teresa pretende valorizar o significado cultural e identitário que cada traje transporta.
Uma homenagem às mulheres e à memória familiar
“Filha do Minho: Arte e Legado” é também uma homenagem às mulheres que marcaram o percurso pessoal da artista, nomeadamente a mãe, a avó e a bisavó, cujas histórias lhe permitiram descobrir uma parte do património da sua própria família.
Foi durante o período de doença da mãe, natural de Vila Nova de Anha, que Teresa tomou conhecimento de que várias gerações da família tinham usado o Traje de Morgada, uma indumentária preta, austera e senhorial, tradicionalmente associada a mulheres de famílias abastadas.
Esta descoberta despertou o seu interesse por uma tradição que passou também a integrar o seu percurso pessoal e artístico. Na exposição, a ligação familiar estará representada através de ilustrações, fotografias, recordações e do próprio traje que Teresa se encontra a bordar.
Outra figura de referência é Rosalina Viana, mulher ligada à preservação dos trajes tradicionais e com quem a ilustradora partilha uma relação de proximidade e admiração. Apesar de não existir uma ligação familiar entre ambas, Teresa considera-a parte da sua família e escolheu-a para a imagem que identifica a exposição.
A presença destas mulheres reforça uma das principais mensagens do projeto: as tradições permanecem vivas graças às pessoas que as conhecem, preservam e transmitem às gerações seguintes.
