Três estudantes de Cibersegurança passaram dez meses na Noruega ao abrigo de um acordo internacional
UNIPVC prepara-se para ter os primeiros diplomados de duplo grau com instituição norueguesa
Deixaram para trás a rotina de trabalho e de estudos, fizeram as malas e passaram cerca de dez meses na Noruega. João Paulo Ribeiro, Joaquim Matos e Jorge Faria são os primeiros estudantes da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) a concretizar uma mobilidade ao abrigo do acordo de duplo grau com a Østfold University College. Agora na fase final do mestrado em Cibersegurança, preparam-se para concluir um percurso académico que lhes permitirá obter dois diplomas, um português e outro norueguês. Pelo caminho, descobriram novas formas de aprender, trabalhar e olhar para o futuro.
Foi durante o primeiro ano do curso de mestrado em Cibersegurança da UNIPVC que o docente Silvestre Malta lhes apresentou a possibilidade de estudarem na Noruega. Os três conciliavam a formação com a atividade profissional, aproveitando a modalidade pós-laboral do curso. A proposta, porém, colocava-os perante uma decisão que implicava alterar profundamente a rotina que tinham construído.
Jorge Faria já conhecia bem a UNIPVC. Natural de Barcelos, tinha concluído a licenciatura em Engenharia de Computação Gráfica e Multimédia e decidido prosseguir os estudos na área da Cibersegurança. Trabalhava, mas há algum tempo que alimentava a vontade de conhecer outras realidades e experimentar a vida profissional no estrangeiro. Quando surgiu a possibilidade de partir para a Noruega, conversou com a família, ponderou a decisão e resolveu aproveitar a oportunidade.
Para João Paulo Ribeiro, a possibilidade de estudar fora de Portugal veio ao encontro de uma vontade e de uma curiosidade antigas. Natural da Maia, tinha escolhido o mestrado da UNIPVC pela possibilidade de continuar a trabalhar a tempo inteiro enquanto estudava. O programa de duplo grau acabou por ser o incentivo de que precisava para interromper a rotina e experimentar uma realidade diferente, tanto a nível académico como pessoal.
Já Joaquim Matos tinha uma razão adicional para aceitar o desafio. Durante a licenciatura, quis estudar no estrangeiro, mas não conseguiu concretizar esse objetivo. Quando surgiu a oportunidade de passar quase um ano na Noruega, decidiu que desta vez não a deixaria escapar. Aos 26 anos, o estudante natural de Penafiel encontrou a possibilidade de realizar uma experiência que há muito desejava.
Em agosto de 2025, os três partiram para a Noruega. Regressaram em junho de 2026, depois de cerca de dez meses de formação, investigação e contacto com uma realidade académica e cultural diferente.
Dois países, dois mestrados e uma experiência de investigação
A mobilidade resulta de um acordo celebrado em 2024 entre a UNIPVC e a Østfold University College, que permite aos estudantes do mestrado em Cibersegurança da Universidade Politécnica de Viana do Castelo obter também o grau de mestre em Applied Computer Science pela instituição norueguesa.
O programa funciona nos dois sentidos, permitindo igualmente a estudantes da Østfold University College frequentar parte da formação na UNIPVC.
No caso dos estudantes portugueses, o percurso contempla o desenvolvimento da dissertação de mestrado com acompanhamento das duas instituições. Foi esta a experiência vivida por João Paulo Ribeiro, Joaquim Matos e Jorge Faria, que tiveram oportunidade de desenvolver trabalho de investigação na Noruega e de contactar com outros estudantes, docentes e investigadores, mas também de conhecer diferentes metodologias, práticas e formas de atuações.
Entre as diferenças que encontraram estiveram a organização do ensino, a autonomia exigida aos estudantes e as condições de trabalho nos laboratórios. Destacam o acompanhamento disponibilizado pelos docentes, o acesso a equipamentos e recursos de investigação e a possibilidade de conhecer outras abordagens à Cibersegurança, uma área em que os desafios ultrapassam fronteiras e exigem atualização constante.
Apesar das diferenças identificadas, os três reconhecem pontos em comum entre os sistemas de ensino português e norueguês, nomeadamente na exigência académica, no trabalho em equipa e na responsabilidade individual dos estudantes.
As amizades e as experiências que não ficam no diploma
A formação foi a razão que os levou à Noruega, mas uma parte importante da experiência aconteceu fora das salas de aula e dos laboratórios.
O acolhimento da comunidade académica, logo nos primeiros dias, facilitou a adaptação a um país onde quase tudo era diferente. O contacto com estudantes de várias nacionalidades e a possibilidade de partilhar experiências com pessoas que também estavam longe de casa contribuíram para criar relações que se prolongaram para além da mobilidade.
Aos 24 anos, João Paulo Ribeiro destaca precisamente as amizades que trouxe da Noruega. Algumas mantêm-se através de conversas regulares, outras através de contactos ocasionais nas redes sociais, mas continuam a fazer parte da sua vida. Para o estudante, a mobilidade permitiu criar ligações que dificilmente teria estabelecido se tivesse permanecido em Portugal.
Também Jorge Faria guarda as amizades como uma das maiores mais-valias da experiência. O contacto com outras culturas e formas de viver reforçou-lhe a vontade de voltar a trabalhar no estrangeiro, viajar e conhecer novas realidades. Com 27 anos agora, regressou a Portugal com uma ideia mais clara das possibilidades que gostaria de explorar no futuro.
Joaquim Matos valoriza sobretudo a transformação pessoal. Viver durante vários meses num país diferente obrigou-o a adaptar-se a novas circunstâncias, a ganhar autonomia e a descobrir capacidades que, na rotina habitual, dificilmente teria colocado à prova.
Para os “3 J's”, como se apelidam entre os colegas, a experiência foi também uma oportunidade de conhecer a Noruega, descobrir outros países e conviver com estudantes de diferentes origens. Mais do que as diferenças culturais, ficaram as experiências partilhadas e a possibilidade de continuar a encontrar-se com pessoas que conheceram durante aqueles dez meses.
Uma experiência que recomendam a outros estudantes
João Paulo Ribeiro, Joaquim Matos e Jorge Faria estão agora na fase final dos respetivos mestrados e deverão subir ao palco na próxima edição do Dia do Diplomado da UNIPVC, no início de 2027, para receber dois diplomas: o de mestre em Cibersegurança, pela universidade portuguesa, e o de mestre em Applied Computer Science, pela instituição norueguesa.
Mas, quando lhes perguntam se recomendariam a experiência a outros estudantes, a resposta é unânime. E nenhum dos três limita as vantagens à possibilidade de obter dois graus académicos.
Joaquim deixa uma mensagem simples: quem quer crescer deve aproveitar uma oportunidade destas. Mesmo reconhecendo que a decisão pode implicar abdicar temporariamente da estabilidade profissional, considera que o contacto com outra realidade e a capacidade de adaptação compensam o desafio.
João Paulo destaca a importância de sair do ambiente habitual e de integrar uma comunidade de estudantes que, tal como eles, chega a um país desconhecido. O acolhimento que encontraram e as relações que construíram mostram, na sua perspetiva, que uma mobilidade internacional pode abrir portas muito para além da formação académica.
Jorge é igualmente claro no incentivo a outros estudantes: não devem ter receio de partir. Conhecer outros países, contactar com diferentes culturas e experimentar outras formas de trabalhar são oportunidades que dificilmente encontram se permanecerem sempre na mesma realidade. E, numa área como a Cibersegurança, essa abertura ao mundo ganha ainda maior relevância.
A experiência dos três estudantes representa também um primeiro resultado concreto da parceria entre a UNIPVC e a Østfold University College. Ao permitir desenvolver parte da formação e investigação noutra instituição europeia e obter dois graus académicos, o programa abre novas possibilidades de especialização e internacionalização.
Para João Paulo, Joaquim e Jorge, a decisão de partir significou interromper uma rotina que já conheciam. Dez meses depois, regressaram com novos conhecimentos, outras perspetivas profissionais e amizades que continuam a manter, mesmo à distância. E com uma certeza: repetiriam a experiência.