Baixas médicas de 6.000 docentes resultam da enorme pressão a que estão sujeitos
A informação prestada no Parlamento pelo Senhor Ministro da Educação em 23 de setembro, que cerca de 6.000 docentes se encontram de baixa médica, resultam, em grande parte, da pressão a que estão a ser sujeitos no início do presente ano letivo, levando a situações de cansaço e saturação extemporânea, derivando para episódios depressivos e situações de burnout, absolutamente indesejáveis.
Mais que referir os números, o Senhor Ministro da Educação deveria refletir sobre os motivos que estão a originar tal situação e ponderar a adoção de medidas que ajudem a mitigar o problema.
Os educadores e professores iniciaram o presente ano letivo com um acréscimo generalizado de cansaço e saturação, reflexo da turbulência e exigências a que foram sujeitos, muitos deles até ao final da primeira semana de agosto. Para além disso, terminaram as atividades escolares no ano transato com uma onda de calor e iniciaram o novo ano letivo com temperaturas muito elevadas, sem que se perspetive vontade política para que ocorra a requalificação e a climatização das salas de aula, principalmente nas regiões do Interior (norte a sul) e no Ribatejo. Por outro lado, as turmas numerosas, as horas extraordinárias obrigatórias, os comportamentos e a indisciplina dos alunos, as exigências da administração escolar, em muitas circunstâncias, em incumprimento dos normativos aplicáveis, e a pressão e interferência dos pais no trabalho dos professores, levam a episódios depressivos, agravamento de doenças pré-existentes e a situações de burnout.
Mas há mais!... Os professores têm sentido, mais que os profissionais de outras áreas, os efeitos do aumento do custo de vida, sobretudo porque existem muitos docentes deslocados da sua residência familiar com os preços das rendas a atingirem valores incomportáveis, e porque muitos outros percorrem dezenas, a maioria, centenas de quilómetros, para se deslocarem diariamente para as escolas onde estão colocados, com as despesas inerentes à utilização de viatura própria a dispararem como consequência do aumento dos combustíveis.
Lisboa, 24 de setembro de 2026