Força Aérea entrega troféu à família do Eng. João Branco, vianense pioneiro da aeronáutica nacional
A Força Aérea Portuguesa recebeu, esta terça-feira, a família do Eng. João
Branco e entregou o troféu alusivo ao 74ª aniversário da Força Aérea e o Coração
comemorativo à filha do engenheiro vianense que foi pioneiro da aeronáutica nacional.
No momento de confraternização, que aconteceu no Centro Cultural, estiveram
presentes a filha, os netos, bisnetos e até tetranetos do Cidadão de Mérito de Viana do
Castelo.

O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio da Costa Pereira,
afirmou ser “uma honra e um privilégio” receber a família do engenheiro mecânico,
considerando que Viana do Castelo “é uma terra que se distingue na aeronáutica
porque o aventurismo do Eng. João Branco existiu” e foi “o embrião de um trabalho
enorme”.
“A Força Aérea tem hoje um pilar de rigor e eficiência muito graças ao trabalho
do engenheiro. Há 114 anos, deixou uma semente que ainda hoje perdura”, frisou.
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, agradeceu
à Força Aérea a iniciativa “de reconhecer a capacidade que este vianense teve de
arriscar novas experiências, conquistando o espaço aéreo”.
“Viana do Castelo respira identidade e esta vontade de procurar, de inovar e de
fazer diferente, lançando-se ao desconhecido”, considerou, recordando João Branco
como “um homem extraordinário”.

João Branco nasceu em Viana do Castelo, a 25 de maio de 1877. Estudou no
colégio do Espírito Santo, frequentou a Escola de Belas Artes e diplomou-se em
Engenharia Mecânica na Bélgica.
A sua grande vocação era a mecânica e a sua dedicação levou-o à construção
de um automóvel de cinco lugares, quatro cilindros e doze cavalos, corria o ano de
1906.
Na aeronáutica, a 19 de junho de 1913, segundo relatos da imprensa da época,
levantou voo da Ínsua Cavalar um “aparelho de aspeto estranho e duvidoso”, que
atraiu a atenção de muitos populares. Este aparelho (um Blériot XI) pilotado por
Norberto Gonçalves, piloto amador sem brevet, contornou a ínsua, dando a volta por
Darque e aterrou novamente numa pista improvisada na referida ínsua. O avião foi
construído no laboratório-oficina do Eng. João Branco, exceto o motor (um NSU),
importado da Inglaterra.

Em 1930, construiu um barco automóvel que tinha por finalidade transportar
banhistas para a praia do Cabedelo. Destaca-se também a montagem de dois
geradores que ajudaram na falta de energia elétrica suficiente aquando da construção
das docas dos estaleiros.
No ano de 1997, o Eng. João Branco foi recordado e homenageado nas V
Jornadas Aeronáuticas da AEFA (Associação de Especialistas da Força Aérea) que
decorreram entre os dias 8 e 16 de novembro, em Viana do Castelo.