A primeira edição está prevista para o ano letivo 2026/2027
Politécnico de Viana do Castelo com novo doutoramento em Design para a Inovação Regional
Novo ciclo de estudos, aprovado pela A3ES afirma o Design como área de investigação aplicada ao serviço da inovação, dos territórios e do desenvolvimento sustentável
O Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e o Politécnico de Castelo Branco (IPCB) viram aprovado, pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), o novo doutoramento em Design para a Inovação Regional (DIR).
A investigação em contexto real, a ligação direta ao território e a produção de conhecimento com impacto são os pilares deste novo ciclo de estudos, que posiciona o IPVC na linha da frente da investigação aplicada em Design em Portugal.
O doutoramento em Design para a Inovação Regional assume o design como prática de produção de conhecimento situada, capaz de responder a desafios concretos das organizações, das comunidades e dos territórios. A primeira edição está prevista para o ano letivo 2026/2027 e decorrerá na Escola Superior de Artes Aplicadas do IPCB, em Castelo Branco, estando previsto que o programa funcione posteriormente de forma alternada entre o IPVC e o IPCB.
Mais do que centrado no objeto final, o programa doutoral adota uma abordagem alargada do Design, valorizando os processos de conceção, mediação, implementação e avaliação em sistemas territoriais complexos. A investigação será desenvolvida em ambiente não académico, em articulação com empresas, entidades do sistema científico e tecnológico, administração pública, municípios, entidades culturais e organizações do terceiro setor.
Para Ermanno Aparo, coordenador do doutoramento no IPVC, este é um dos elementos diferenciadores do programa. “Este doutoramento parte de uma visão do Design como prática situada de produção de conhecimento. Não se centra apenas no resultado, mas nos processos e na forma como o Design pode intervir em sistemas territoriais complexos, contribuindo para soluções com impacto real e transferível”, sublinha.
Design, território e sustentabilidade
Este doutoramento distingue-se pela sua orientação para o desenvolvimento territorial, abrangendo contextos urbanos, periurbanos, rurais, periféricos e de baixa densidade. O território é, assim, entendido como espaço ativo de experimentação, criatividade, inovação, validação científica e produção de conhecimento.
As soluções desenvolvidas no âmbito do programa procuram ser transferíveis e contribuir para a sustentabilidade ambiental, social, económica e empresarial, respondendo a desafios ligados à valorização de recursos endógenos, à inovação territorial, à competitividade e ao desenvolvimento regional sustentável.
“A investigação é desenvolvida em contexto organizacional real, o que permite articular prática e reflexão crítica, testar metodologias e avaliar, de forma sistemática, o impacto social, económico e ambiental das soluções propostas. Trata-se de produzir conhecimento científico que responde simultaneamente a problemas concretos”, acrescenta Ermanno Aparo.
Apesar da forte componente aplicada, o doutoramento mantém uma natureza académica plena, assegurando enquadramento científico rigoroso, supervisão formal e avaliação de acordo com os critérios próprios do terceiro ciclo. O programa pretende formar investigadores capazes de produzir conhecimento científico original em Design, articulado com as Ciências do Ambiente, a partir de contextos territoriais complexos.
O plano curricular integra unidades como Design para o Desenvolvimento Regional, Metodologias de Investigação Aplicada, Seminários em Design para a Inovação Regional, Ecossistemas de Design e Inovação Regional e Laboratório de Investigação Aplicada. Inclui ainda opções nas áreas da Identidade e Branding Territorial, Investigação Laboratorial em Ambiente Não Académico e Sustentabilidade, Inovação e Competitividade.
Investigação aplicada em contexto real
Os dois últimos anos do ciclo de estudos serão dedicados ao desenvolvimento de investigação aplicada em contextos não académicos, com acompanhamento científico contínuo e integração em projetos e redes de investigação e inovação.
O programa assenta numa articulação estruturada com centros de investigação de referência, nomeadamente o CIAUD, o CIMO e o CERNAS, garantindo a integração dos doutorandos em linhas de investigação ativas, projetos científicos e redes colaborativas desde o primeiro ano.
“A integração em centros de investigação e em projetos em curso permite evitar percursos isolados e reforçar a construção de massa crítica, promovendo uma produção de conhecimento mais consistente, contínua e alinhada com desafios reais”, refere a investigadora.
O DIR promove ainda metodologias participativas, colaborativas e de co-design, envolvendo múltiplos atores e incentivando processos de inovação multissetorial. A avaliação do impacto social, económico e ambiental das intervenções constitui também uma dimensão central do programa, com enfoque nos efeitos a médio e longo prazo, na relevância societal e na transferibilidade dos resultados.
Dimensão internacional e funcionamento em rede
A dimensão internacional é outro dos pilares do novo doutoramento. Através da participação em redes e alianças como a Universidade Europeia SUNRISE, a BAUHAUS4EU, a CUMULUS e o EPIC, o programa permitirá promover mobilidade de estudantes e docentes, coorientação de teses, participação em projetos internacionais e desenvolvimento de modelos de cotutela.
“O funcionamento em rede, com forte ligação a parceiros internacionais, permite cruzar perspetivas e integrar os doutorandos em ecossistemas globais de inovação, sem perder a ligação ao território. Essa combinação entre proximidade local e abertura internacional é essencial para a qualidade da investigação”, destaca ainda Ermanno Aparo.
O doutoramento será assegurado por um corpo docente que integra investigadores do Politécnico de Viana do Castelo e do Politécnico de Castelo Branco, contando ainda com a participação de docentes convidados de instituições nacionais e internacionais.
A acreditação foi concedida por um período de três anos, com um máximo de 15 admissões. O ciclo de estudos será ministrado em português e inglês, sendo exigida proficiência funcional em língua inglesa, indicativamente correspondente ao nível B2 do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas.
As datas e condições de candidatura serão divulgadas oportunamente pelas duas instituições.