“Regata” promete coexistir com Ponte Eiffel e marcar paisagem urbana de Viana do Castelo
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, inaugurou,
esta quinta-feira, uma exposição de rua que apresenta as diversas propostas a
concurso para a construção da futura ponte pedonal da cidade. No Passeio das
Mordomas da Romaria estão agora patentes as diversas propostas que foram
selecionadas no âmbito do Concurso de Conceção da Futura Ponte Pedonal sobre o Rio
Lima, destacando-se a vencedora, “Regata”, que promete “coexistir” com a Ponte Eiffel
e marcar a paisagem da cidade.

Neste concurso público internacional foram selecionados onze concorrentes e
surgiram oito propostas, tendo sido selecionadas quatro, que agora estão expostas ao
público. No Salão Nobre, esta quinta-feira, foi apresentando o projeto vencedor,
“Regata”, da autoria da empresa portuguesa de engenharia especializada na
elaboração de estudos e projetos de pontes e estruturas especiais Armando Rito
Engenharia, em parceria com a inglesa Knight Architects, para a futura ponte pedonal
e ciclável sobre o rio Lima, que será construída a jusante da Ponte Eiffel.
De acordo com a memória descritiva, a nova ponte “deve afirmar-se como um
complemento em harmonia com a extraordinária paisagem urbana e com a travessia
pré-existente, celebrando o caráter único do local”. Por isso mesmo, o gabinete de
engenharia refere que a proposta “é uma ponte para Viana do Castelo, uma obra que
perde significado em outros locais. Pertencente à cidade e ao seu contexto, enraizada
na história, na cultura e na tradição do lugar”.

O autarca referiu, na inauguração da exposição, que as propostas apresentadas
representavam não apenas soluções tecnicamente válidas, mas também “enquadradas
e elaboradas com respeito, paixão e razão”, “respeitando a história do território e a
envolvente cénica”.
“A proposta selecionada evidencia sensibilidade e capacidade de interpretação”,
reforçou Luís Nobre, indicando que será agora necessário avançar com concurso de
projeto de execução, que irá determinar o valor da obra, e procurar financiamento
para o projeto.
Pedro Cabral, da Armando Rito Engenharia, assegurou que este foi “um projeto
que deu gosto fazer” pela ligação a Gustave Eiffel e a uma ponte de referência a nível
nacional e internacional.
Já Hector Beade, da inglesa Knight Architects, realçou que esta nova ponte
“permitirá melhorar a segurança dos peões e ciclistas, especialmente tendo em conta
os passeios estreitos da Ponte Eiffel”, numa infraestrutura que permitirá valorizar a
mobilidade suave da cidade. “Queríamos que esta fosse mais do que uma proposta de
atravessamento, mas que fosse também uma proposta que permitisse uma
coexistência harmoniosa com uma outra infraestrutura, num espaço de tanto valor
paisagístico”.

A memória descritiva indica que a ponte “tem tantos apoios no rio quanto a
Ponte Eiffel, mantendo o alinhamento dos seus pilares para promover uma
coexistência positiva entre ambas as estruturas e cumprir os requisitos hidráulicos e de
navegação do Rio Lima naquela zona”. Os apoios têm uma forma em V assimétrica:
um dos elementos do V constitui o mastro do qual é suspenso um dos lados do
tabuleiro enquanto o outro serve de suporte direto o lado oposto. “Como gesto de
respeito pela ponte histórica, o ponto mais alto dos mastros, com uma altura máxima
de 9,1 m acima do tabuleiro, coincide com o nível superior do tabuleiro da Ponte
Eiffel”, é ainda indicado.
“Tendo apenas um mastro e um único plano de cabos de atirantamento por
mastro, alcança-se uma clareza e limpeza estrutural que permitem uma relação
harmoniosa entre as duas pontes. Esta simplicidade e esbelteza impedem que a nova
infraestrutura oculte a Ponte Eiffel ou se transforme num foco de atenção excessivo
nas vistas em que ambas se sobrepõem. Reforçando mais a relação entre as duas
pontes, o sistema estrutural da nova ponte, com os seus mastros e cabos, assemelha-
se formalmente à configuração do pré-esforço exterior incorporado na Ponte Eiffel nos
anos 90, e que integra a imagem da ponte há quase trinta anos”, explica-se ainda.
A concurso surgiram os grandes gabinetes de engenharia portugueses e
estrangeiros, tendo sido selecionado o projeto do gabinete Armando Rito Engenharia,
que propõe uma diretriz em “S”, afastando-se, ao longo de uma grande parte do seu
desenvolvimento, da Ponte Eiffel.

O traçado em “S” é uma mais valia da solução, não só pelo afastamento à
ponte existente, como pelo efeito que provoca na circulação pedonal. Em causa estão
vãos com cerca de 60 metros e a superestrutura é do tipo de uma ponte de tirantes
multi-suspensão, com um único plano de tirantes e um único tirante por vão.
A ponte sobre o Rio Lima tem um desenvolvimento de 570 metros, em curva e
em “S”, prologando-se para os acessos por rampas com 60 metros e 225 metros,
respetivamente, no lado Norte e Sul, sendo que o comprimento total da ponte é de
cerca de 855 metros.
Esta nova travessia pedonal e ciclável vem de encontro à política de
sustentabilidade ambiental e de utilização dos chamados ‘modos suaves’ para
circulação. Esta nova estrutura vai igualmente aumentar a segurança rodoviária no
tabuleiro da Ponte Eiffel, retirando peões e bicicletas, que passarão a utilizar a nova
via; e fomentar o já muito concorrido movimento turístico dos peregrinos que
percorrem o Caminho Português da Costa.
