Sessão de encerramento do Eures Transfronteiriço Norte de Portugal-
Galiza faz balanço do programa de trabalho de 2024/25
O Navio Hospital Gil Eannes está a acolher a sessão de encerramento do Eures
Transfronteiriço Norte de Portugal-Galiza relativo aos trabalhos dos dois últimos anos,
numa iniciativa promovida pela Associação Empresarial do Distrito de Viana do Castelo,
conjuntamente com a AEP - Associação Empresarial de Portugal.
O EURES Transfronteiriço Norte de Portugal – Galiza é um serviço que ajuda
pessoas a trabalhar legalmente e com informação correta entre Portugal e a Galiza,
facilitando emprego e mobilidade entre os dois lados da fronteira. Trata-se de uma
parceria entre entidades de emprego de Portugal e da Galiza (Espanha) que ajuda
pessoas a trabalhar ou procurar emprego do outro lado da fronteira, integrando a rede
europeia EURES, criada pela Comissão Europeia para facilitar a mobilidade de
trabalhadores dentro da União Europeia.

Nela participam instituições como o Instituto do Emprego e Formação
Profissional (IEFP), o Servizo Público de Emprego de Galicia (SPEG) na Galiza,
sindicatos e associações empresariais das duas regiões, que hoje se reuniram em
Viana do Castelo para fazer um balanço do trabalho dos últimos dois anos.
Na sessão de boas vindas, Manuel Cunha Júnior, responsável pela AEVDC,
evidenciou o “trabalho excecional desta entidade enquanto fomentadora da relação
entre os dois países irmãos”, lembrando a importância de uma discussão para que
surja finalmente o Estatuto do Trabalhador Transfronteiriço entre Portugal e Espanha
para facilitar a mobilidade de quem vive num país e trabalha no outro, regressando
diariamente ou semanalmente.
Este estatuto visa o acesso simplificado a serviços sociais, saúde, educação e
emprego em ambos os lados, simplificando a segurança social e reconhecendo direitos
profissionais.

Por seu lado, o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís
Nobre, lembrou que esta é uma das fronteiras com maior mobilidade da Europa e que
a euro-região é uma das três euro-regiões referência na União Europeia, onde ocorrem
dez por cento das trocas comerciais.
“Não se percebem, hoje, as fronteiras, tal a fluidez natural entre as duas
regiões”, frisou o autarca, lembrando que “as dificuldades ainda existentes são
sobretudo administrativas, onde existem níveis administrativos diferentes nos dois
lados da fronteira”.
“Mas, se vencemos tantos outros obstáculos, podemos fazer o mesmo com esta
dimensão, usando estas plataformas para apoiar as pessoas, permitindo a mobilidade
para o exercício das suas atividades laborais”, vincou.
Refira-se que os dados mais recentes apontam para que haja mais de 15 mil
trabalhadores transfronteiriços entre Portugal e Espanha, com destaque para o eixo
Norte-Galiza, onde se concentra uma parte significativa dos fluxos. Estes profissionais,
frequentemente homens no setor da construção, beneficiam de estratégias comuns de
desenvolvimento e cooperação, sendo a segurança social e legislação aplicável geridas
pelo país onde exercem a atividade.
A Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço abrange 1,6 milhões
de pessoas no lado português e 3,3 milhões em Espanha, sendo que a euro-região
Norte Portugal e Galiza é crucial, concentrando uma grande parte dos trabalhadores
transfronteiriços entre os dois países.
