Dia Internacional da Mulher | IPVC distribui mil marcadores de livros alusivos à data com vídeo sobre aceitação da diferença
Politécnico de Viana do Castelo assinala 8 de março com mensagem de aceitação e destaca campanha de antiga estudante contra a desigualdade salarial
Inserido nas celebrações do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, o Politécnico de Viana do Castelo promove uma ação transversal a todas as suas Unidades Orgânicas, desafiando a comunidade académica à reflexão sobre aceitação e pressão estética. Em paralelo, o IPVC destaca também o trabalho da antiga estudante do curso de licenciatura em Design do Produto, Eliana Barros, fundadora da marca Ownever, que lançou uma campanha que denuncia a persistência da desigualdade salarial entre homens e mulheres.
Segundo dados do World Economic Forum, serão necessários 123 anos para alcançar a igualdade plena entre homens e mulheres. Foi este número que motivou a mais recente campanha da Ownever, marca criada por Eliana Barros, licenciada em Design do Produto pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Viana do Castelo. “Enquanto marca, não podíamos deixar passar este Dia da Mulher com mais uma mensagem ‘cor-de-rosa’ ou meramente decorativa”, começa por descrever Eliana Barros.
Um número que inquieta: 123 anos até à igualdade
A campanha apresenta uma imagem de um forte contraste simbólico: ao centro está uma mulher sentada, com uma indumentária de época, mas está rodeada por homens com aparência contemporânea. A metáfora da antiga estudante do IPVC, natural de Arcos de Valdevez, é clara: ao longo dos anos, assistiu-se a uma evolução tecnológica, de linguagem e até da representação pública, mas as estruturas de poder e a desigualdade salarial permanecem ancoradas em padrões do passado. A construção da imagem foi desenvolvida juntamente com o fotógrafo internacional Daryan Dornelles.
O propósito de Eliana Barros, de 34 anos, era assinalar o 8 de março com uma iniciativa que se distanciasse e distinguisse de abordagens meramente decorativas associadas à data, assumindo uma posição crítica sobre o ritmo do progresso em matéria de igualdade entre homens e mulheres.
Da formação no Politécnico de Viana do Castelo à criação de uma marca que “nada contra a corrente do fast-fashion”
Eliana Barros fundou a Ownever há três anos, após uma experiência profissional na área do marketing digital. A marca afirma-se no segmento do luxo sustentável, com produção 100% nacional, baseada no saber-fazer artesanal português e na longevidade das peças. “A Ownever é feita por mulheres e para mulheres, por isso, acredito que nestes temas [Dia Internacional da Mulher] conseguimos ter um papel mais profundo. Quisemos dar corpo à frustração que sentimos perante a sensação de que o progresso está estagnado”, afirma Eliana Barros.

A sentir-se a “nadar contra a corrente do fast-fashion, do consumo imediato e da novidade constante”, Eliana Barros fala em anos de “resistência” para continuar o seu percurso. No entanto, o caminho tem sido de “orgulho”: “O que mais me orgulha é termos provado que existe um público que procura algo mais do que um simples objeto de status; procura peças com alma, com ética e com história. O nosso caminho tem sido muito focado em construir uma comunidade fiel de pessoas que entendem que o verdadeiro luxo não se apressa, leva tempo a produzir e é feito para atravessar gerações.” E foi precisamente para honrar esse compromisso com o tempo que foi criado o Atelier de Restauro de malas de luxo. Com sete modelos-base e produção feita por encomenda, a Ownever assume-se, por isso, contra a lógica do consumo imediato. E a criação do Atelier de Restauro Ownever Repair reforça essa visão, promovendo a recuperação e o prolongamento da vida útil de peças em pele, próprias ou de outras marcas de luxo, como manifesto contra o descarte.
Com um caminho bem definido, a internacionalização é um passo natural. E tem sido um percurso gradual. Com presença crescente em mercados externos, levar o “Made in Portugal” enquanto expressão de técnica, identidade cultural e consciência ética tem tido o objetivo de demonstrar que o saber-fazer português não representa apenas mão de obra de qualidade. Assista AQUI ao vídeo da campanha de Eliana Barros.
Politécnico de Viana do Castelo lança desafio à comunidade académica: “O que mudarias no teu corpo?”
IPVC distribui mil marcadores de livros pelas suas seis Escolas Superiores
Num contexto em que a igualdade formal registou avanços significativos nas últimas décadas, os dados continuam, no entanto, a revelar disparidades salariais, desigual representação em cargos de decisão e persistência de estereótipos de género.
Assinalar o 8 de março implica, por isso, mais do que celebrar conquistas: implica reconhecer o caminho que falta percorrer e promover uma cultura institucional crítica, informada e ativa na construção de uma sociedade mais justa. Por isso, o Politécnico de Viana do Castelo decidiu assinalar a efeméride com a distribuição de mil marcadores de livros por todas as suas seis Escolas Superiores, assim como pelos Serviços Centrais e Serviços de Ação Social.
No ano em que o Politécnico de Viana do Castelo assinala 40 anos desde a sua criação, estão a ser desenvolvidas várias iniciativas alusivas à data. E a distribuição de uma coleção de marcadores de livros com 40 temáticas é uma delas.
No marcador relativo ao Dia Internacional da Mulher, o leitor encontra uma mensagem clara e direta: “O que mudarias no teu corpo? E se a resposta fosse: nada? Num mundo que nos pede constante transformação, escolher a aceitação é um ato de coragem.”O marcador inclui também um QR Code que remete para um vídeo alusivo à temática, reforçando o apelo à reflexão sobre padrões de beleza, pressão estética e autoaceitação, questões que continuam a afetar de forma particular as mulheres
Assista ao vídeo AQUI